Espaço Aberto - artigos da área jurídica

Adnilson Hipólito

 
25 de janeiro de 2011, às 11h03min

Orçamento 2011 para Escritório de Advocacia

Sucesso é a soma de pequenos esforços, repetidos o tempo todo. Robert Collier

 
Por que nos prédios do Dubai Marina – bairro mais nobre de Dubai – nos Emirados Arabes encontram-se placas de "aluga-se" e "vende-se"? Os preços dos imóveis não param de cair desde o anuncio da moratória do Dubai World, o consorcio estatal responsável pelas principais obras naquele País. A desvalorização dos imóveis já chega a 55% desde 2008.

 

O que aconteceu com um dos mais prósperos mercado imobiliário do mundo? Faltou planejamento? Faltou previsão futura? Faltou orçamento e planejamento do mercado imobiliário? Faltou visão do crescimento de demanda futura? Quem responde a essas questões e como isso pode acontecer num dos maiores centros de riqueza do mundo?

 

Planejar e orçar as finanças do escritório de advocacia é a mesma coisa que dizer: necessito prever o futuro do escritório para evitar surpresas negativas e criar oportunidades sustentáveis no futuro.

 

Atento à movimentação do mercado jurídico, sobretudo na sua área de atuação, a sociedade deve antecipar-se aos acontecimentos futuro com planejamento e com visão de possíveis oportunidades jurídicas, sejam elas na mesma área de atuação ou em outras áreas.

 

O orçamento proporciona o conforto financeiro que toda sociedade necessita. Buscar o equilíbrio financeiro entre as receitas e gastos é uma tarefa difícil dependendo do perfil do escritório e do tom de gestão que os sócios imprimem. É preciso pensar no seu escritório com visão e atitude de empresário.

 

Orçar as receitas e os custos é base de previsão financeira no curto, médio e longo prazo. O orçamento deve levar em consideração as variáveis da área de atuação e o perfil de gestão da banca, alinhado aos objetivos dos sócios. Com essas informações o gestor pode calcular melhor as receitas e os custos futuros.

 

Outro tipo de previsão orçamentária são as metas que se deseja alcançar. Aqui devem ser estabelecidos metas de faturamento; metas de redução de custos e metas de margem de lucro. Para o escritório que administra seus resultados por centros de custo, pode ser desenvolvido um orçamento pela própria plataforma do centros de custo, veja como.

 

As metas podem ser estabelecidas com base em algumas variáveis que devem ser analisadas pelos sócios e pelo financeiro, sendo:

§ Histórico financeiro (análise da movimentação financeira dos últimos anos)

§ Estudo dos futuros negócios do escritório

§ Objetivos estratégicos futuro do escritório

§ Potencial de execução das ações estratégicas

§ Recursos disponíveis

§ Alinhamento de metas, desde que sejam realistas e executáveis

 

Essa análise é relevante do ponto de vista de mercado e de planejamento do escritório. Do ponto de vista técnico os sócios devem alinhar a expertise jurídica da equipe com o potencial de crescimento.

 

Nesse momento, o orçamento – com relação às metas de faturamento – devem ser analisadas entre os sócios, equipe jurídica e o financeiro.

Na peça orçamentária também encontram-se os controles dos resultados realizados no período, ou seja, a conta "realizado". O orçamento é anual porém os resultados serão analisados mensalmente.

 

A estrutura inicial da peça orçamentária é a seguinte:

Plano de contas - Orçado - Realizado - Índices  (AV)  (AH)

 

(+) Receitas

(-) Impostos

(-) Custos

(-) Despesas

(=) Resultados

 

O plano de contas é referente a estrutura de contas já denominada pelo escritório, ou seja, as contas e sub-contas de receitas, impostos, custos, despesas e resultados. Cada escritório adota a nomenclatura ideal à sua operação.

 

As contas são padrão contábil e são as adotadas em balancete gerencial para apuração dos resultados. Independentemente de serem as contas utilizadas pela contabilidade o gerenciamento e análise gerencial financeira é rigoroso diante da visão técnica.

 

No campo orçado são inseridos os dados esperados para o próximo período, ou seja, a expectativa de receita, custos e despesas. A composição dos dados referente a conta orçado, são:

 

Ø (+) receita fixa

Ø (+) receita variável

Ø (+) percentual de crescimento

 

A conta do realizado é a própria realização das receitas, impostos, custos, despesas e resultados, durante o mês. Os dados deverão ser alimentados para fechamento e análise comparativa da demonstração de resultados, mensalmente.

 

Nesse momento se faz inteiramente importante a análise vertical (AV) e a análise horizontal (AH). Esses dois índices se mostrarão à vontade para embasar a movimentação realizada no período e fomentar o senso crítico financeiro dos sócios para tomada de decisões. É por esses índices que a flutuação das metas serão mensuradas no período.

 

Paralelo a esse quadro orçamentário faz-se necessário a implantação de um controle de metas por área e por assunto definido em reunião. O assunto pode ser de qualquer natureza, desde que seja relevante e importante para o alcance dos resultados, com por exemplo: alvarás recebidos/pagos.

 

A peça orçamentária dever vir acompanhada de um relatório por escrito e encaminha aos sócios, bem como a apresentação padrão em Power Point, no dia da reunião anual para demonstração e análise do orçamento.

 

Estabeleça as metas e faça o acompanhamento mensal da evolução em planilha.

 

Seja critérios e rigoroso com a execução das atividades e com o planejamento, pois só agindo dessa forma o escritório terá chance de trabalhar com metas e ter o prazer de sentir o gostinho do crescimento planejado.

 

Bom planejamento orçamentário!

 

Adnilson Hipólito, Sócio e consultor da Selem, Bertozzi & Consultores Associados. Administrador especializado em Gestão dos Serviços Jurídicos. Palestrante especialista em finanças na advocacia. Professor de Gestão Financeira para Escritório de Advocacia e Planejamento Estratégico Aplicado ao Direito com Foco em Resultados. Administrador de Empresas (PUC/PR). MBA Executivo em Gestão Financeira, Controladoria e Auditoria (FGV/PR). GBA em Gerenciamento por Projetos (FGV/PR). Curso de extensão em Gestão Contábil (UEL). Membro do IBEF – Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças. Ex gestor executivo em Sociedade de Advogados. Articulista em finanças na advocacia das revistas Mercado & Negócios Advogados, Consulex e Leis & Letras.

 

Administrador de Empresas Especialista em Gestão Financeira e Planejamento Estratégico para Escritório de Advocacia.

Especialista em Gestão Financeira pela FGV-PR.

Especialista em Controladoria e Auditoria Financeira pela FGV-PR.

Experiência em Gestão Contábil pela UEL-PR.

Membro do IBEF - Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças.

Experiência durante anos como Gestor Executivo em Sociedade de Advogados.

Professor em Gestão Estrategica de Resultados na Advocacia.

Articulista em Finanças na Advocacia.

Palestrante especialista em Gestão Financeira na Advocacia.

Autor do livro "Finanças na Advocacia - Planejamento, Estratégia, Controle e Resultados"

 
 

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