Revista Juristas - artigos da área jurídica

Ben-Hur Rava

Direito da Sociedade da Informação

 
02 de dezembro de 2011, às 10h00min

A ditadura do politicamente correto



Piadas e humor rendem boas gargalhadas e, invariavelmente, polêmica. O Ministério Público abriu inquérito contra o humorista Rafinha Bastos por suposta apologia a estupro ao ter elogiado estupradores de mulheres feias em show de stand up comedy. Afora a questão do bom ou mau gosto da blague, o episódio merece reflexão.

 

Até onde vai o limite ao direito de manifestação de pensamento e liberdade de expressão? Alguns dirão: há de se proibir os abusos! Cadeia para engraçados e falastrões! Mas onde está a razão?

 

Geralmente, a liberdade de expressão é um direito bem-vindo pela opinião pública, desde que não seja ofensiva ou politicamente incorreta. Quando se veicula opinião fora dos padrões da moral e bons costumes aceites em determinados grupos sociais, a coisa muda de figura. Todos querem liberdade para expressar-se sobre política e rock´n roll, mas quando o assunto é sexo e drogas, o debate esquenta e lá vem o MP com processo.

 

Nos EUA, a 1ª Emenda é categórica ao proteger a liberdade de expressão. Lá, juízes fazem interpretação ampla (direitos absolutos) na aplicação da liberdade em casos relacionados à comédia e à sátira usada na mídia e espetáculos, seja por entretenimento, seja por veiculação publicitária.

 

Uma rede de patrulha


Inúmeros casos foram julgados, sendo o mais famoso o de Larry Flynt, editor da revista Hustler, em 1983, quando publicou paródia sexual de incesto do falecido reverendo Jerry Falwell e sua mãe. O processo foi à Suprema Corte, em 1988, e o então Chief Justice Rehnquist disse: “No cerne da 1ª Emenda está o reconhecimento da importância fundamental do livre fluxo de ideias e opiniões sobre a preocupação com assuntos de interesse público.” Shows de David Letterman, Jay Leno e Jon Stewart foram cerceados por suas opiniões sarcásticas e corrosivas. Produtores do Saturday Night Live e South Park foram processados pelos gags hilários, ainda que de gosto duvidoso. Porém, tem prevalecido a convicção de que a Constituição é pilar inabalável da liberdade de expressão, como forma de cultura democrática, mesmo em face a direitos dos grupos e minorias.

 

Hoje, no Brasil, a ditadura do politicamente correto quer restringir a plena liberdade, qualquer que ela seja. Cria-se uma rede de patrulha às livres ideias da imprensa e mídia que ameacem valores conservadores arraigados.

 

Por isso, o preço da liberdade é a eterna vigilância.

 

Professor Universitário e Advogado em Porto Alegre/RS
 
 
 

Deixe o seu comentario

Seu nome:*
Seu e-mail:
Mensagem:*


ARTIGOS MAIS LIDOS
29 de abril de 2012, às 12h17min
O texto expõe a ótica contemporânea do princípio da dignidade humana que é fundamento da república brasileira e modificou totalmente a ordem...
01 de maio de 2012, às 01h22min
O presente artigo cuida dos reflexos das decisões do Tribunal Marítimo, nos processos em trâmite perante a Justiça Comum. O estudo apresent...
23 de abril de 2012, às 06h58min
ARTIGOS MAIS COMENTADOS