Revista Juristas - artigos da área jurídica

Ben-Hur Rava

Direito da Sociedade da Informação

 
02 de dezembro de 2011, às 11h23min

O papel da TV e a programação infantil



O programa Sesame Street completou mais de 40 anos no ar na televisão americana. Para quem, como eu, nasceu no final dos anos 1960 e teve a infância nos anos 70, não é muito difícil lembrar do similar nacional, da Rede Globo. Era o Vila Sésamo, tinha Armando Bogus, Sônia Braga e Aracy Balabanian atuando com os bonecos Garibaldo, Gugu, Ênio e Beto e misturava a incrível arte de brincar, educando. Foi uma feliz importação da televisão brasileira da criação americana concebida por educadores e publicitários e que, durante cinco anos (1972-1977), deu certo, voltando na TV Cultura.

 

Num misto de lembrança e análise crítica, isso me fez pensar quais os rumos a programação infantil tomou nestes últimos anos e seu papel na formação da nova geração de crianças. Obviamente que se perdeu a ingenuidade dos anos 1970. Por certo, estávamos sendo preparados para o papel de bons filhos, bons alunos e, até, bons cidadãos. Talvez protegidos contra o “medo” que rondava o país naquele tempo. Apesar de tudo, a preocupação com a educação era algo completo, concreto e visível. Lógico que a análise traz carga de sentimento pessoal, porém, não destoa de qualquer constatação acadêmica sobre o assunto.

 

Vivia-se o “milagre brasileiro” e o país ufanava-se de conquistas econômicas e futebolísticas, mas a infância tinha outro sabor e cor. Não menos correto que a própria televisão ainda acertava os passos da revolução que chegaria depois. No entanto, hoje nada se compara ao tipo de programação que tínhamos naquela época. Por justiça, faça-se concessão meritória aos programas Castelo Rá-Tim-Bum e Cocoricó da TV Cultura/SP, que embalaram as manhãs e tardes das minhas filhas nos anos 1990.

 

Sinônimo de qualidade

 

A TV não empobreceu. Ao contrário, ganhou tecnologia e publicidade segmentada de público e horário. Ficou interativa, colorida e digital. Mas perdeu a qualidade pedagógica de antes. O que há é a importação de programas infantis de qualidade duvidosa.

 

Talvez este seja um texto saudosista, talvez não. Mas, por certo, é a constatação de que televisão pode ser sinônimo de qualidade e usada como ferramenta a auxiliar educadores e recreacionistas no entretenimento do público infantil de modo inteligente e construtivo e contribuir para a formação de um público melhor.

 

Professor Universitário e Advogado em Porto Alegre/RS
 
 
 

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